29/03/2010

Cientistas dos EUA e do Japão criam tecnologia capaz de ler pensamentos

Máquina de ressonância magnética registra fluxo de sangue no cérebro.
Áreas mais irrigadas mudam conforme ideia que passa pela cabeça.



Imagens do fluxo do sangue em diferentes partes do cérebro estão permitindo a cientistas da universidade Carnegie Mellon, no estado americano da Pennsylvania, criar uma tecnologia capaz de identificar pensamentos.

A leitura é feita por meio de um equipamento de ressonância magnética. Quando uma pessoa deita dentro da máquina, os pesquisadores pedem para ela para ele pensar, do jeito que quiser, nas palavras que aparecem no monitor: adorar, odiar, insultar. Enquanto ela pensa, o computador divide o cérebro em 20 mil pequenos cubos, chamadas voxels.

Por onde o sangue passa com mais intensidade - ou seja, nas áreas ativadas por aquele pensamento - os voxels ficam azuis. Nas áreas onde a atividade é ainda mais intensa, eles ficam amarelos. E depois vermelhos. A imagem gerada por cada pensamento é comparada com milhares de outras.
É pela semelhança entre a imagem produzida pelo novo pensamento e aquelas que estão catalogadas que o computador é capaz de dizer exatamente o que estamos pensando. Assim, eles constroem uma espécie de dicionário de pensamentos, como explica o pesquisador brasileiro Augusto Buchweitz.

"O computador não consegue fazer nada sozinho, a gente tem que dar os dados pra ele, e ele vai procurar coisas que se repetem no cérebro das pessoas, que vai permitir identificar o conteúdo do pensamento de outras pessoas", diz Augusto Buchweitz.

Saúde
Um dos pesquisadores, o doutor Marcel Just, diz que essa tecnologia poderá ajudar no tratamento de problemas psiquiátricos e neurológicos, identificando o que está errado com o pensamento e orientando a terapia e a prescrição de medicamentos.

Parece ficção científica mas, ainda este ano, pesquisadores esperam ler os pensamentos de uma pessoa no exato momento em que eles estão acontecendo.

Por enquanto, a leitura de mente é um experimento embrionário que depende de máquinas pesadas e só pode ser feito num laboratório. Só que os psicólogos e neurocientistas querem mais. Acreditam que em pouco tempo vai haver um leitor de mentes que funcionaria à distância, decodificando o que passa pela cabeça de qualquer pessoa - para o bem ou para o mal...

Pensamentos roubados
Imaginem, por exemplo, um terrorista numa estação de trem em Nova York. Ele pode montar um equipamento portátil capaz de ler mentes e descobrir, por exemplo, o código de acesso ao computador central do serviço de inteligência dos Estados Unidos, caso aponte a máquina para um funcionário do serviço de inteligência.

E a tecnologia é tão avançada que pode não deixar o menor rastro. O espião terrorista poderia usar o laser para escanear o cérebro do agente enquanto ele está lê os números. Tudo o que é pensado seria interpretado pelo computador.

É claro que os pesquisadores esperam que a leitura de mente seja usada apenas pra fins pacíficos. Mas é um tema tão intrigante que envolve instituições de pesquisa de todo o planeta.
No Japão, eles estão inventando uma máquina capaz de ler até o que nós estamos sonhando.

Gravador de sonhos
As experiências realizadas no Instituto de Pesquisas em Telecomunicações Avançadas, em Quioto, seriam chamadas de mágica, milagre ou telepatia há alguns anos. O cientista Yukiaso Kamitami diz: "a minha meta é gravar os sonhos". Para chegar lá, os pesquisadores começaram a identificar imagens formadas no cérebro. Os primeiros testes foram bem-sucedidos.

Nos testes, os cientistas projetaram lá dentro do aparelho de ressonância magnética símbolos como um quadrado. Os voluntários olhavam fixamente para a figura. O aparelho captava a atividade cerebral e um computador interpretava o que a pessoa estava pensando. O resultado foi que a figura saiu um pouco borrada, mas o equipamento conseguiu ler o pensamento.

Assim como na pesquisa americana, a principal ferramenta dessa tecnologia é um programa de computador capaz de reconstruir imagens que a gente vê a partir das oscilações do fluxo sanguíneo dentro do cérebro. Essas oscilações variam conforme o símbolo apresentado ao voluntário.

Os pesquisadores japoneses dizem que há teorias de que os sonhos são importantes, por exemplo, no processo de fixação do aprendizado. Se isso for verdade, o gravador de sonhos ajudaria o ser humano a aprender melhor.

O professor diz que o domínio dessa tecnologia ainda está longe de acontecer. Mas um dia o que se passa na nossa mente quando dormimos pode deixar de ser apenas um sonho que esquecemos no dia seguinte.

FONTE: http://g1.globo.com/Noticias/Ciencia/0,,MUL1548321-5603,00.html


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