20/10/2010

Cientista mostra como funcionam as ilusões de óptica

Um cientista americano afirma que, ao tentar decifrar como as ilusões de ópticas "enganam" nossas mentes, é possível revelar detalhes sobre o funcionamento do cérebro humano.
Professor de neurociência da University College de Londres, Beau Lotto diz que têm sido crucial para a evolução humana o órgão e sua capacidade de processar constantemente as informações que recebe do mundo que nos cerca.
Lotto apresentou imagens que ajudam a entender melhor essa capacidade, começando com a importância de se enxergar em cores. Acompanhe a apresentação do cientista:
SELVA

R. Beau Lotto /BBC
A imagem mostra uma versão em preto e branco de uma cena em uma selva. Nesta versão da cena, é mais difícil encontrar o grande predador, uma pantera que parece estar prestes a atacar.
Isto ocorre pela razão de o observador enxergar apenas as superfícies de acordo com a quantidade de luz que elas refletem.
A segunda imagem, da mesma cena, está com todas as cores. E, desta vez, o observador poderá ver o animal imediatamente (no canto inferior direito).
A razão disto é que a imagem em cores mostra as superfícies de acordo com a qualidade da luz que elas refletem (e não apenas a intensidade). Com isso, o cérebro recebe muito mais informações.
A cor nos torna capazes de ver um número maior de semelhanças e diferenças entre os objetos, o que é necessário para a sobrevivência.
Encontrar a pantera na imagem colorida é incrivelmente fácil para os humanos. Mas, os melhores computadores não conseguem fazer isto.
Compreender como vemos é um dos principais objetivos da neurociência. E ilusões de ótica tem a chave para resposta a esta questão.
BRILHO
R. Beau Lotto/BBC
A próxima imagem são de dois quadrados fisicamente idênticos.
O neurocientista explica que humanos nunca enxergam com os olhos. Isto se deve ao fato de os olhos terem pouco a ver com que nós vemos.
Por exemplo, a imagem formada no fundo dos olhos (chamada imagem da retina), tem apenas duas dimensões, enquanto que o mundo tem três. A imagem da retina está de cabeça para baixo, mas enxergamos o mundo do jeito certo.
A pergunta do neurocientista é o que acontece se mudarmos o contexto que cerca os quadrados, mas não mudarmos os próprios quadrados.
Os dois quadrados idênticos vão parecer diferentes.
A única mudança é o fundo, mais escuro ou mais claro. O quadrado pequeno no fundo escuro parece mais claro que o quadrado no fundo claro.
Esta é a "ilusão de brilho e contraste", que prova que o contexto é muito importante quando falamos do que vemos.
MESA E FLOR
R. Beau Lotto/BBC
Neste exemplo temos duas versões menores de uma ilusão idêntica à anterior, de brilho e contraste. Uma à direita e outra à esquerda.
Nos dois casos, os ladrilhos nos fundos escuros parecem mais claros do que os que foram colocados nos fundos mais claros. Mas, na segunda foto, a cena muda.
A ilusão na esquerda é muito mais forte. O ladrilho que está na sombra debaixo da mesa parece muito mais brilhante, pois o cérebro pensa que está na sombra. O ladrilho à direita parece que está debaixo de uma luz brilhante, então o cérebro presume que é mais escuro e nos diz isto.
Por outro lado, a ilusão à direita agora ficou muito mais fraca. Os dois ladrilhos, um na faixa negra e outro em uma faixa clara, parecem quase idênticos, pois o cérebro está interpretando os dois como dois ladrilhos de reflexão semelhante, debaixo de uma mesma fonte de luz.
Isto mostra que vemos ilusões pelo fato de o cérebro não querer simplesmente ver a imagem, mas querer ver o significado da imagem, encontrando o significado desta imagem acima no contexto da mesa e da luz da janela.
CUBO

R. Beau Lotto/BBC
Neste caso, temos dois quadrados com cores idênticas. Mas, o contexto foi mudado de uma forma específica.
No novo contexto, os dois quadrados fisicamente idênticos parecem muito diferentes.
A informação na imagem sugere que o quadrado marrom escuro no topo do cubo mostrado na segunda imagem agora é uma superfície com pouca reflexão debaixo da luz brilhante, enquanto que o quadrado laranja brilhante, do lado, se transformou em uma superfície muito refletiva na sombra.
Os dois são vistos de formas diferentes pois o cérebro pensa que eles tem um significado diferente, devido ao resto da informação da cena.
MESA
R. Beau Lotto/BBC
O que se aplica na visão da cor, também se aplica na visão da forma. Na verdade, é aplicável a quase tudo o que é visto.
Quando olhamos para esta imagem, percebemos duas mesas de tamanhos diferentes.
A mesa da esquerda parece bem mais longa e estreita do que a mesa da direita. Mas, na verdade, as dimensões das duas mesas são idênticas.
A única diferença real entre as mesas são os ângulos em seus cantos (além de suas cores, o que é irrelevante para este caso).
Clicando na segunda foto, podemos ver que as duas linhas vermelhas e verdes são do mesmo comprimento. O comprimento da mesa vermelha é o mesmo que a largura da mesa verde e vice-versa.
Então, por que as duas mesas parecerem tão diferentes? Porque o cérebro tira a imagem da retina e cria o que vê de acordo com o que a informação significa em comparação com as experiências passadas do cérebro, de interação com o mundo.
Neste caso, os ângulos sugerem profundidade e perspectiva e o cérebro acredita que a mesa verde é mais longa do que é, enquanto que a mesa vermelha parece mais quadrada.

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