27/11/2010

Máquina para gravar sonhos é possível, diz cientista

Um pesquisador nos Estados Unidos afirmou que tem planos para criar um dispositivo eletrônico de gravação e interpretação de sonhos.

Moran Cerf, do Instituto de Tecnologia de Pasadena, na Califórnia (oeste do país), afirma que a "leitura dos sonhos" é possível baseada em um estudo inicial que, segundo o cientista, sugere que a atividade de células individuais do cérebro, os neurônios, é associada a objetos ou conceitos específicos.
Em sua pesquisa Cerf descobriu que, quando um dos voluntários estava pensando na atriz Marilyn Monroe, um neurônio em particular foi ativado.
Ao mostrar a voluntários acordados que participaram de seu estudo uma série de imagens, Cerf e seus colegas conseguiram identificar neurônios que eram ativados pelos objetos e conceitos.
Ao observar qual neurônio se ativava e quando isso acontecia, os cientistas construíram uma base de dados para cada paciente.
Com ela, Cerf alega que é, efetivamente, capaz de "ler as mentes” dos voluntários.
Análise do sonho
Há séculos são feitas tentativas de interpretar os sonhos; no Egito antigo, por exemplo, eles eram considerados mensagens dos deuses.
Atualmente, análises de sonhos são usadas por psicólogos como uma ferramenta para compreender o inconsciente. Mas a única forma de interpretar os sonhos é perguntar para as pessoas depois que elas acordam.
O objetivo do projeto de Moran Cerf e sua equipe é desenvolver um sistema que daria aos psicólogos uma forma de corroborar as lembranças destes sonhos com a visualização eletrônica da atividade cerebral durante o sonho.
"Não há uma resposta clara para a razão de os humanos sonharem", disse Cerf. "E, uma das questões que gostaríamos de responder é quando nós criamos estes sonhos."
No entanto, o cientista admite que há um longo caminho antes que a simples observação das reações de um neurônio específico possa se transformar em um dispositivo para gravar sonhos. Mas Cerf acredita que existe uma possibilidade e ele gostaria de tentar.
Para isso, o próximo estágio de seu trabalho é monitorar a atividade do cérebro dos voluntários enquanto eles estão dormindo.
Os pesquisadores vão conseguir identificar imagens ou conceitos relacionados com os que estão arquivados em sua base de dados. Mas, esta base de dados pode, na teoria, ser construída. Por exemplo, ao monitorar a atividade dos neurônios enquanto o voluntário está assistindo um filme.
Eletrodos e sensores
Roderick Oner, psicólogo clínico e especialista em sonhos britânico, acredita que este tipo de visualização limitada pode gerar interesse acadêmico, mas, por outro lado, pode não ajudar muito na interpretação dos sonhos ou em terapias.
"Para isso você precisa da narrativa total e complexa do sonho", afirmou.
Outra dificuldade com a técnica proposta por Moran Cerf é que, para conseguir o tipo de resolução necessária para monitorar neurônios individuais, os voluntários teriam que ter eletrodos implantados profundamente, por um processo cirúrgico, no cérebro.
No estudo publicado na revista Nature, os pesquisadores americanos conseguiram os primeiros resultados ao estudar voluntários com o implante de eletrodos usados normalmente para tratar de convulsões cerebrais.
Mas Cerf acredita que a tecnologia de sensores está se desenvolvendo em um ritmo tão acelerado que, com o tempo, poderá ser possível monitorar a atividade do cérebro sem a necessidade de cirurgias.
"Seria maravilhoso ler as mentes das pessoas quando elas não podem se comunicar, como em pessoas em coma", disse o cientista.
Interface
Para o professor Colin Blakemore, da Universidade de Oxford, existe uma distância grande entre os resultados limitados obtidos no estudo do cientista americano e a possibilidade de gravar sonhos.
Já foram feitas tentativas de criar interfaces para traduzir pensamentos em instruções para controlar computadores e máquinas.
Mas, a maioria destas tentativas se concentrou em áreas do cérebro envolvidas no controle de movimentos. Os sistemas de monitoramento que Cerf pretende criar visam áreas mais sofisticadas do cérebro para poder identificar conceitos abstratos.
O cientista americano afirma que as pesquisas e usos de um dispositivo que lê a mente de outra pessoa são muitos.
"Por exemplo, em vez de escrever um email, você poderia apenas pensar o email. Ou, outra aplicação futurista, seria pensar em um fluxo de informações e ter estas informações escritas bem à sua frente", disse.
Pallab Ghosh
Da BBC News

18/11/2010

Neandertal era mais promíscuo do que ser humano moderno, dizem cientistas

 

Com base no comprimento dos dedos de fósseis, antropólogos ingleses deduzem que Neandertais teriam vários parceiros sexuais. Cientistas ainda não sabem quando nem por que hominídeos se tornaram menos promíscuos.

Embora extinto há mais de 30 mil anos, o europeu Homo neanderthalensis continua a fascinar os cientistas. Um novo estudo na Inglaterra sugere que ele teria mais parceiros que o homem moderno.
Os cientistas chegaram a essa conclusão comparando a proporção entre os comprimentos dos diferentes dedos, técnica que permite determinar alguns aspectos comportamentais, incluindo a promiscuidade sexual.
A pesquisadora Emma Nelson, da Universidade de Liverpool, demonstrara em estudos anteriores que níveis elevados de andrógenos no útero materno aumentam o comprimento do dedo anular em relação ao indicador. O baixo quociente de comprimento resultante está relaciona a alta competitividade, agressividade e mais parceiros sexuais; taxas baixas, por sua vez, indicam monogamia.
Reconstituições do Homem de Neandertal, no Museu Renano de Bonn, segundo indícios científicosReconstituições do Homem de Neandertal, no Museu Renano de Bonn, segundo indícios científicos
Comparação entre quatro espécies
Em estudo publicado recentemente num jornal britânico, cientistas compararam as proporções entre os dedos indicador e anular de várias espécies de hominídeos extintos.
Entre eles o Ardipithecus ramidus, que viveu 4,4 milhões de anos atrás; o Australopithecus afarensis, há cerca de 3 a 4 milhões; o Homo neanderthalensis, desaparecido há 28 mil anos; e os primeiros Homo sapiens, que viveram há cerca de 95 mil anos.
"Crê-se que os andrógenos pré-natais afetem os genes responsáveis pelo desenvolvimento dos dedos das mãos e dos pés, assim como do sistema reprodutivo," diz Nelson."Mostramos recentemente que nas espécies promíscuas de primatas a razão aritmética entre o comprimento do dedo indicador e o do anelar é baixa, e nos monógamos, alta. Usamos esses dados para avaliar o comportamento social de espécies extintas de macacos e hominídeos. Embora o volume de fósseis desse período seja restrito, e mais deles fossem necessários para confirmar as descobertas, esse processo poderia ser uma nova e interessante maneira de entender como o nosso comportamento social evoluiu."
O estudo mostra que os humanos modernos têm um quociente de 0,957 entre o indicador e o anular, e são, em geral, uma espécie mais monogâmica, enquanto nos chimpanzés, gorilas e orangotangos a proporção média é de 0,91, sendo essas espécies mais promíscuas.
Pesquisadores também constataram que o fóssil de um Homo sapiens datando aproximadamente 95 mil anos, encontrado em uma caverna em Israel, tinha a proporção de 0,935, sendo, em princípio, mais promíscuo do que os humanos atuais. Por sua vez, os Neandertais apresentavam, em média, um quociente indicador-anular de 0,928. Emma Nelson comentou que sua equipe gostaria de provar seus estudos por outros meios.
Dedos anulares mais compridos indicam comportamento sexual promíscuo, afirma estudoDedos anulares mais compridos indicam comportamento sexual promíscuo, afirma estudo
Uma pesquisa mais profunda seria necessária
Os antropólogos ainda não chegara a uma conclusão sobre quando e por que os humanos e seus ancestrais começaram a migrar de um sistema de acasalamento mais promiscuo para um mais monogâmico, já que o primeiro teria a vantagem evolutiva de propagar os genes com maior rapidez e de maneira mais efetiva. Certo está que a relação de casal, no sentido amplo, é universal para os humanos.
Nem todos os cientistas concordam com essas deduções. Em entrevista para site norte-americano de notícias MSNBC.com, um outro antropólogo declarou que a correlação com o quociente indicador-anular não é boa base para prever comportamentos sociais.
"Além de usar um mau indicador, esse estudo tem outro problema, muito comum no trabalho com fósseis: sua quantidade é muito pequena, e não está muito claro qual primata vivo deveríamos comparar com eles", afirma John Hawks, professor de Antropologia da Universidade de Wisconsin, Madison.
Autor: Cyrus Farivar (mas)
Revisão: Augusto Valente


16/11/2010

Vitória de Dilma atesta maturidade democrática no Brasil, diz mídia alemã

Mídia alemã enfoca vitória de Dilma Rousseff e aponta para os desafios do novo governo, principalmente na economia e nas políticas externa e internA.



Um dia após a vitória de Dilma Rousseff nas urnas, importantes veículos da mídia alemã analisam nesta segunda-feira (01/11) o futuro governo da presidente eleita.
"Dilma não tem o carisma de seu mentor, Lula, mas sua mensagem é clara: com uma política conservadora, ela pretende impulsionar a economia em crescimento e acabar com a miséria em algumas partes do país", escreve Jens Glüsing, correspondente no Rio de Janeiro para o semanário alemão Der Spiegel.
"Em sua festa pela vitória eleitoral, Dilma Rousseff, a primeira mulher a chefiar o maior país sul-americano, encontrou palavras simples e sóbrias, mas justamente no tom certo. Dilma Rousseff não é mulher de discursos inflamados, ela não tem o carisma e o talento retórico de Luiz Inácio Lula da Silva, uma estrela na política."
Por duas vezes Rouseff salientou em seu primeiro discurso como chefe de Estado eleito, o quão importante é a liberdade de expressão. Um sinal, segundo o correspondente doSpiegel, de que a ex-guerrilheira não se esqueceu da tortura e dos anos que passou na prisão durante a ditadura militar.
Sem rancores da imprensa
Ela não quer guerra com a imprensa brasileira, ela não quer censurar os jornalistas como seus colegas populistas de esquerda na Argentina, Venezuela, Bolívia e Equador, escreve o site do Spiegel. "Por isso, os articulistas da poderosa rede de televisão Globo, que descaradamente favoreceram o candidato da oposição, José Serra, lhe tributam respeito."
"A transformação do Brasil de gigante confinado em promissora superpotência emergente não começou com Lula. Na realidade, ela tem raízes em 1994, o ano do surgimento do real. Naquela época, através de um pacote de reformas econômicas e fiscais, o social-democrata Fernando Henrique Cardoso conseguiu colocar no rumo certo a nação abalada por uma hiperinflação e uma horrenda dívida."
"A vitória de Rousseff é uma prova da maturidade democrática no Brasil, apesar de todos os seus problemas", continua o correspondente em sua análise. "Hoje, eleições no Brasil acontecem sem problemas e de forma mais segura do que nos Estados Unidos. O sistema eletrônico de votação é considerado exemplar em todo o mundo."
"O fato de o país passar a ser liderado por uma mulher divorciada é uma evidência da normalidade democrática. Antigamente isso teria sido impensável", salienta o Spiegel.
Expectativas econômicas
"Rousseff deve se preparar para uma corda bamba na economia", escreve o jornal alemãoHandelsblatt. "As incríveis taxas de crescimento e os altos gastos do Estado nos últimos meses deverão se tornar um problema para a futura presidente."
Para o diário, é preciso que Rousseff consiga a façanha de reduzir as despesas públicas, sem sufocar o crescimento e ao mesmo tempo sem se afastar de seus apoiadores. Por isso, escreve o Handelsblatt, provavelmente não tenha sido coincidência que, no pronunciamento pela vitória, Rousseff tivesse ao seu lado Antônio Palocci, ex-ministro das Finanças e "queridinho" de Wall Street.
O diário lembra que Palocci conseguiu impor cortes no orçamento do Estado já no primeiro mandato de Lula. Para os investidores estrangeiros, é claro o sinal de que ela continuará o curso da esquerda moderada do governo Lula, escreve o jornal especializado em economia.
Desafios do governo Rousseff
"Durante toda a sua campanha, Rousseff prometeu que vai dar continuidade à política de Lula. Entretanto, faltam-lhe seu carisma e sua flexibilidade. Por isso, muitos brasileiros temem que ela siga uma linha mais dura em relação à oposição, buscando mais confrontos", escreve a articulista do jornal Die Welt.
"Dilma assume um país que está transbordando de autoconfiança", destaca o veículo conservador, assinalando que o país sobreviveu tão bem à crise que este ano espera um crescimento econômico de 7,5%.
Em nível internacional, o Brasil está desempenhando um papel cada vez mais importante, e já há muito tempo assumiu a liderança política na América Latina. "Mas Lula também se esquivou de reprimir a política externa cada vez mais agressiva de Hugo Chávez na Venezuela."
Também na política interna o legado deixado a Dilma Rousseff envolve desafios: Lula não abordou a tão necessária reforma fiscal e, mais importante, a do sistema de aposentadorias. Além disso, há problemas com a segurança, especialmente nas grandes cidades, salienta o Die Welt.
Além disso, Dilma terá a tarefa hercúlea de preparar o país para a Copa de 2014 e para os Jogos no Rio de Janeiro em 2016. Se ela quer e se conseguirá sair da sombra de Lula, isso ainda está em aberto, conclui a articulista.
Compilação: Roselaine Wandscheer
Revisão: Augusto Valente


13/11/2010

O que são os rios voadores?


por Leandro Novakowski -
São imensas massas de vapor d’água que, levadas por correntes de ar, viajam pelo céu e respondem por grande parte da chuva que rola em várias partes do mundo. O principal rio voador do Brasil nasce no oceano Atlântico, bomba de volume ao incorporar a evaporação da floresta Amazônica, bate nos Andes e escapa rumo ao sul do país. "O vapor d’água que faz esse trajeto é importantíssimo para as chuvas de quase todo o Brasil", afirma o engenheiro agrônomo Enéas Salati, da Universidade de São Paulo (USP). Veja a seguir os meandros impressionantes dessa gigantesca corredeira voadora. por Leandro Novakowski




Corredeira voadora 


Volume de água que circula pelo céu é similar à vazão do rio Amazonas 




1. O rio voador nasce no oceano Atlântico. A água evapora no mar, perto da linha do Equador, e chega à floresta Amazônica empurrada pelos ventos alísios. Esse blocão de vapor passa rasante: 80% dele voa a, no máximo, 3 quilômetros de altura



2. A vazão desse aguaceiro aéreo é da ordem de 200 milhões de litros por segundo (similar à do rio Amazonas), fazendo da Amazônia uma das regiões mais úmidas do planeta, além de provocar as chuvas que desabam diariamente por toda a região 



3. Enquanto passa sobre a floresta, o rio voador praticamente dobra de volume. Isso ocorre porque, ao absorver mais radiação do Sol do que o próprio oceano, a mata funciona como uma gigantesca chaleira, liberando vapor com a transpiração das árvores e a evaporação dos afluentes que correm no solo



4. No oeste da Amazônia, a massa de umidade encontra uma barreira de montanhas de 4 quilômetros de altura, a cordilheira dos Andes, que funciona como uma represa no céu, contendo a correnteza aérea do lado de cá



5a. Boa parte do vapor fica acumulada nos próprios Andes, sob a forma de neve. Ao derreter, essa água desce as montanhas, dando origem a córregos que, por sua vez, formarão os principais rios da bacia Amazônica, como o Amazonas



5b. Nem todo vapor que encontra os Andes fica por ali. Cerca de 40% dessa cachoeira celeste segue rumo ao sul. A umidade passa por Rondônia, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e São Paulo, terminando a viagem no norte do Paraná, cerca de seis dias depois 



6a. Enquanto flui em caudalosos veios rumo ao mar, muito da água proveniente dos rios voadores é absorvido pela floresta. Quando transpiram, as árvores então liberam esse líquido em forma de vapor, fechando o ciclo que novamente alimentará a corrente no céu 



6b. Por fim, o rio voador cai em forma de chuva. Mais da metade da precipitação das Regiões Centro-Oeste e Sudeste vem dos rios aéreos da Amazônia. Além desse veio principal, outras 20 correntezas cruzam o céu do país, carregando um volume de água equivalente a 4 trilhões de caixas-d’água de 1 000 litros! 




• Para ter ideia da importância dos Andes, a floresta Amazônica surgiu há cerca de 15 milhões de anos, bem na época em que a cordilheira se formou



• A equipe de Gerard Moss já fez 12 "mergulhos" nos rios voadores, coletando centenas de amostras de vapor d’água 



• Em 2008, um rio voador que chegou à cidade de São Paulo transportava 3,2 milhões de litros (mais do que uma piscina olímpica) de água por segundo




Caçadores de nuvens 



Pesquisadores "surfam" as correntezas aéreas para estudar o fenômeno 



Desde 2008, um projeto científico tenta conhecer melhor os rios voadores. O líder da pesquisa é Gerard Moss, engenheiro e explorador francês naturalizado brasileiro. O trabalho dele consiste em voar com um monomotor coletando vapor d’água. "Enquanto todos os pilotos evitam as nuvens, eu vou direto para elas", diz. Em seu avião, Moss caça a umidade usando tubos de 40 centímetros resfriados a 70 graus negativos. Numa temperatura tão baixa, qualquer vapor que entra no tubo se transforma, imediatamente, em água. As gotas são então armazenadas para a análise em laboratório

10/11/2010

Bolhas gigantes de energia encontradas na galáxia intrigam astrônomos


Há algo ocorrendo no centro da galáxia, e os astrônomos não sabem ainda dizer o que é.

O telescópio de raios gama Fermi, da Nasa (agência espacial norte-americana) revelou uma estrutura até então desconhecida bem no centro da Via Láctea.

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As duas bolhas com limites bem definidos e emissoras de raios gama se estendem por 25 mil anos-luz para o norte e para o sul do centro galático e reúnem uma energia equivalente a cem mil explosões de supernovas.

As origens das bolhas ainda são um mistério para os cientistas. "Não entendemos completamente sua natureza ou origem", disse astrônomo Doug Finkbeiner, do Centro de Astrofísica Harvard-Smithsonian Center em Cambridge (EUA).

Imagina-se que possam ser remanescentes de uma erupção de um buraco negro ou que são alimentadas por uma sucessão de nascimentos e mortes de estrelas no interior da galáxia.

O estudo será publicado no "The Astrophysical Journal".

24/10/2010

O tempo pode acabar?

Sim. E não. O tempo acabar parece ser impossível e inevitável. Trabalho recente em física sugere uma resolução para este paradoxo.




por George Musser
EM NOSSA EXPERIÊNCIA DIÁRIA, nada termina realmente. Quando morremos, nossos corpos definham e o material retorna à terra e à atmosfera, permitindo a criação de novas fontes de vida. Vivemos no que vem depois. Mas este será sempre o caso? Poderia haver um tempo futuro quando não haverá “depois”? Depressivamente, a física moderna sugere que a resposta pode ser positiva. O tempo pode acabar. Toda atividade cessaria e não haveria renovação ou recuperação. O fim do tempo seria o fim dos fins. 


Essa possibilidade foi uma predição inesperada da teoria da relatividade geral de Einstein, o nosso entendimento moderno da gravitação. Antes dessa teoria, a maioria dos físicos e filósofos pensava que o tempo fosse universal, um ritmo estacionário no qual o Universo marchava, sem nunca variar, fraquejar ou parar. Einstein mostrou que o Universo é mais como uma grande festa polirrítmica. O tempo pode desacelerar, distender ou se rasgar. Quando sentimos a força da gravidade, estamos sentindo a improvisação rítmica do tempo; objetos em queda são dragados para lugares onde o tempo passa mais lentamente. O tempo não só afeta o que a matéria faz, mas também responde ao que a matéria está fazendo, como bateristas e dançarinos que atiçam uns aos outros em um frenesi rítmico. Quando as coisas fi carem fora do controle, o tempo pode evaporar-se em fumaça, como um baterista superexcitado que entra espontaneamente em combustão.

Os momentos em que isso acontece são conhecidos como singularidades. O termo se refere a qualquer fronteira no tempo, seja ela o início ou o fi m. A singularidade mais conhecida é o Big Bang, o instante 13,7 bilhões de anos atrás quando o Universo – e, com ele, o tempo – veio à existência e começou a se expandir. Se o Universo um dia parar de se expandir e começar a se contrair, isso será como um Big Bang ao contrário – o Big Crunch – e o levará a uma paralisia. O tempo não precisa sucumbir em todos os lugares. A relatividade diz que ele expira dentro de buracos negros, enquanto fl ui no Universo como um todo. Buracos negros têm uma merecida reputação para a destruição, mas ela é ainda pior do que poderíamos pensar. Se mergulhar em um desses devoradores, você não apenas seria rasgado em pedaços, mas seus restos atingiriam, por fim, a singularidade no centro do buraco negro, e a sua linha do tempo terminaria. Nenhuma nova vida emergiria de suas cinzas; suas moléculas não seriam recicladas. Como um personagem que chega à última página de um romance, você não sofreria uma mera morte, mas um apocalipse existencial. 

Demorou décadas para os físicos aceitarem que a relatividade prevê algo tão incômodo como morte sem renascimento. Até hoje, eles não sabem ao certo como lidar com isso. Singularidades são, possivelmente, a razão principal pela qual os físicos procuram criar uma teoria unifi cada da física, que uniria a ideia de Einstein com a mecânica quântica, de modo a criar uma teoria quântica da gravidade. Eles fazem isso, em parte, para tentar explicar defi nitivamente as singularidades. Mas é preciso ter cuidado com o que se deseja. O fi m do tempo é difícil de imaginar, mas o tempo sem um fi m pode ser igualmente paradoxal.

23/10/2010

COMO CONSTRUIR UM UNIVERSO


Por mais que você se esforce, jamais conseguirá captar quão minúsculo, quão espacialmente modesto é um próton.

Um próton é uma parte infinitesimal de um átomo, que por sua vez é uma coisa insubstancial. Os prótons são tão pequenos que um tiquinho de tinta, como o pingo neste i, pode conter algo em torno de 500 bilhões deles, mais do que o número de segundos contidos em meio milhão de anos. Portanto, os prótons são exageradamente microscópicos, para dizer o mínimo.

Agora imagine que você possa (claro que isto é pura imaginação) encolher um desses prótons até um bilionésimo de seu tamanho normal, num espaço tão pequeno que, em comparação, um próton pareceria enorme. Agora compacte nesse espaço minúsculo uns trinta gramas de matéria. Ótimo. Você está pronto para iniciar um universo.
Estou pressupondo que você deseja construir um universo inflacionário. Se você prefere construir um universo mais convencional, do tipo big-bang comum, precisará de materiais adicionais. Na verdade, terá que reunir tudo que existe - cada partícula de matéria daqui até o limite do universo - e comprimir num ponto tão infinitesimalmente compacto que não terá nenhuma dimensão. Trata-se de uma singularidade.

Em ambos os casos, prepare-se para um verdadeiro big-bang. Naturalmente, você vai querer se retirar para um local seguro a fim de contemplar o espetáculo. Infelizmente, não há local para onde se retirar, porque fora da singularidade não existe local. Quando o universo começar a se expandir, não estará se espalhando para preencher um vazio maior. O único espaço que existe é o espaço que ele cria ao se expandir.
É natural, mas errado, visualizar a singularidade como uma espécie de ponto grávido solto num vácuo escuro e ilimitado. Não há espaço, nem escuridão. A singularidade não tem nada ao seu redor. Não há espaço para ela ocupar, nem lugar para ela estar. Nem sequer podemos perguntar há quanto tempo ela está ali - se acabou de surgir, como uma boa idéia, ou se estava ali eternamente, aguardando com calma o momento certo. O tempo não existe. Não há passado do qual ela possa emergir.

E assim, do nada, o nosso universo começa.

Numa única pulsação ofuscante, um momento de glória por demais rápido e expansivo para ser descrito em palavras, a singularidade assume dimensões celestiais, um espaço inconcebível. No primeiro segundo dinâmico (um segundo ao qual muitos cosmologistas dedicarão suas carreiras tentando descrevê-lo em detalhes crescentes) são produzidas a gravidade e as outras forças que governam a física. Em menos de um minuto, o universo possui 1,6 milhão de bilhões de quilômetros de diâmetro e cresce a grande velocidade. Existe muito calor agora, 10 bilhões de graus, o suficiente para iniciar as reações nucleares que criam os elementos mais leves - principalmente hidrogênio e hélio, com uma pitada (cerca de um átomo em 100 milhões) de lítio. Em três minutos, 98% de toda a matéria existente ou que virá a existir foi produzida. Temos um universo. É um lugar da mais espantosa e gratificante possibilidade, e bonito também. E foi tudo produzido mais ou menos no tempo que se leva para preparar um sanduíche.

Quando ocorreu esse momento é objeto de discussão. Os cosmologistas há bastante tempo vêm discutindo se o momento da criação foi há 10 bilhões de anos, duas vezes essa cifra, ou um valor intermediário. O consenso parece estar se formando em torno de uns 13,7 bilhões de anos, mas essas coisas são notoriamente difíceis de medir [...]. Tudo que se pode realmente dizer é que, em certo ponto indeterminado num passado bem remoto, por razões desconhecidas, surgiu o momento conhecido na ciência como t = 0. Estávamos a caminho [...]

O que é extraordinário do nosso ponto de vista é quão bem isso tudo resultou para nós. Se o universo tivesse se formado só um pouquinho diferente – se a gravidade fosse uma fração mais forte ou mais fraca, se a expansão tivesse prosseguido um pouquinho mais lenta ou mais rápida – talvez nunca houvesse elementos estáveis para constituir você, eu e o chão que pisamos. Se a gravidade fosse mais fraca, nada teria se aglutinado. O universo teria permanecido para sempre um vazio sombrio e disperso.

Esse é um dos motivos pelos quais alguns especialistas acreditam que possa ter havido muitos outros Big-bangs, talvez trilhões e trilhões deles, espalhados pela imensa extensão da eternidade, e que existimos neste Big-bang específico porque ele é um daqueles em que pudemos existir. Como disse certa vez Edward P. Tryon, da universidade Columbia: “Em resposta à pergunta sobre por que aquilo aconteceu, propondo modestamente que o nosso universo é apenas uma dessas coisas que acontecem de tempo em tempo”. Ao que acrescenta Guth: “Conquanto a criação de um universo possa ser bem improvável, Tryon enfatiza que ninguém ainda contou as tentativas fracassadas”.

Martin Rees, astrônomo real britânico, acredita que haja muitos universos em combinações diferentes, e que nós simplesmente vivemos em um que combina as coisas da forma que nos permite existir. Ele faz uma analogia com uma enorme loja de roupas:

“Se houver um grande sortimento de roupas, uma pessoa não se surpreenderá se encontrar um terno que lhe sirva. Se houver muitos universos, cada um conjunto diferente de números, num deles existirá um conjunto particular de números adequado à vida. Estamos exatamente nele.

BRRYSON, Bill.Breve história de quase tudo. Trad. De Ivo Korytowski. São Paulo: Companhia das Letras, 2005.p.21-22 e27. (Fragmento).

20/10/2010

Cientista mostra como funcionam as ilusões de óptica

Um cientista americano afirma que, ao tentar decifrar como as ilusões de ópticas "enganam" nossas mentes, é possível revelar detalhes sobre o funcionamento do cérebro humano.
Professor de neurociência da University College de Londres, Beau Lotto diz que têm sido crucial para a evolução humana o órgão e sua capacidade de processar constantemente as informações que recebe do mundo que nos cerca.
Lotto apresentou imagens que ajudam a entender melhor essa capacidade, começando com a importância de se enxergar em cores. Acompanhe a apresentação do cientista:
SELVA

R. Beau Lotto /BBC
A imagem mostra uma versão em preto e branco de uma cena em uma selva. Nesta versão da cena, é mais difícil encontrar o grande predador, uma pantera que parece estar prestes a atacar.
Isto ocorre pela razão de o observador enxergar apenas as superfícies de acordo com a quantidade de luz que elas refletem.
A segunda imagem, da mesma cena, está com todas as cores. E, desta vez, o observador poderá ver o animal imediatamente (no canto inferior direito).
A razão disto é que a imagem em cores mostra as superfícies de acordo com a qualidade da luz que elas refletem (e não apenas a intensidade). Com isso, o cérebro recebe muito mais informações.
A cor nos torna capazes de ver um número maior de semelhanças e diferenças entre os objetos, o que é necessário para a sobrevivência.
Encontrar a pantera na imagem colorida é incrivelmente fácil para os humanos. Mas, os melhores computadores não conseguem fazer isto.
Compreender como vemos é um dos principais objetivos da neurociência. E ilusões de ótica tem a chave para resposta a esta questão.
BRILHO
R. Beau Lotto/BBC
A próxima imagem são de dois quadrados fisicamente idênticos.
O neurocientista explica que humanos nunca enxergam com os olhos. Isto se deve ao fato de os olhos terem pouco a ver com que nós vemos.
Por exemplo, a imagem formada no fundo dos olhos (chamada imagem da retina), tem apenas duas dimensões, enquanto que o mundo tem três. A imagem da retina está de cabeça para baixo, mas enxergamos o mundo do jeito certo.
A pergunta do neurocientista é o que acontece se mudarmos o contexto que cerca os quadrados, mas não mudarmos os próprios quadrados.
Os dois quadrados idênticos vão parecer diferentes.
A única mudança é o fundo, mais escuro ou mais claro. O quadrado pequeno no fundo escuro parece mais claro que o quadrado no fundo claro.
Esta é a "ilusão de brilho e contraste", que prova que o contexto é muito importante quando falamos do que vemos.
MESA E FLOR
R. Beau Lotto/BBC
Neste exemplo temos duas versões menores de uma ilusão idêntica à anterior, de brilho e contraste. Uma à direita e outra à esquerda.
Nos dois casos, os ladrilhos nos fundos escuros parecem mais claros do que os que foram colocados nos fundos mais claros. Mas, na segunda foto, a cena muda.
A ilusão na esquerda é muito mais forte. O ladrilho que está na sombra debaixo da mesa parece muito mais brilhante, pois o cérebro pensa que está na sombra. O ladrilho à direita parece que está debaixo de uma luz brilhante, então o cérebro presume que é mais escuro e nos diz isto.
Por outro lado, a ilusão à direita agora ficou muito mais fraca. Os dois ladrilhos, um na faixa negra e outro em uma faixa clara, parecem quase idênticos, pois o cérebro está interpretando os dois como dois ladrilhos de reflexão semelhante, debaixo de uma mesma fonte de luz.
Isto mostra que vemos ilusões pelo fato de o cérebro não querer simplesmente ver a imagem, mas querer ver o significado da imagem, encontrando o significado desta imagem acima no contexto da mesa e da luz da janela.
CUBO

R. Beau Lotto/BBC
Neste caso, temos dois quadrados com cores idênticas. Mas, o contexto foi mudado de uma forma específica.
No novo contexto, os dois quadrados fisicamente idênticos parecem muito diferentes.
A informação na imagem sugere que o quadrado marrom escuro no topo do cubo mostrado na segunda imagem agora é uma superfície com pouca reflexão debaixo da luz brilhante, enquanto que o quadrado laranja brilhante, do lado, se transformou em uma superfície muito refletiva na sombra.
Os dois são vistos de formas diferentes pois o cérebro pensa que eles tem um significado diferente, devido ao resto da informação da cena.
MESA
R. Beau Lotto/BBC
O que se aplica na visão da cor, também se aplica na visão da forma. Na verdade, é aplicável a quase tudo o que é visto.
Quando olhamos para esta imagem, percebemos duas mesas de tamanhos diferentes.
A mesa da esquerda parece bem mais longa e estreita do que a mesa da direita. Mas, na verdade, as dimensões das duas mesas são idênticas.
A única diferença real entre as mesas são os ângulos em seus cantos (além de suas cores, o que é irrelevante para este caso).
Clicando na segunda foto, podemos ver que as duas linhas vermelhas e verdes são do mesmo comprimento. O comprimento da mesa vermelha é o mesmo que a largura da mesa verde e vice-versa.
Então, por que as duas mesas parecerem tão diferentes? Porque o cérebro tira a imagem da retina e cria o que vê de acordo com o que a informação significa em comparação com as experiências passadas do cérebro, de interação com o mundo.
Neste caso, os ângulos sugerem profundidade e perspectiva e o cérebro acredita que a mesa verde é mais longa do que é, enquanto que a mesa vermelha parece mais quadrada.